Kim Mafra: Cidadã do Mundo

“Nem grego nem ateniense, sou um cidadão do mundo”, já dizia Sócrates. Desde que me entendo por gente, sinto grande identificação com esta epígrafe.

Meu nome é Kim, tenho 22 anos e acabo de me formar, não coincidentemente, em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Por causa do trabalho de meu pai, nossa família sempre se mudou muito de cidade. Então, mesmo que em cidades próximas, desenvolveu-se em mim certa necessidade de conhecer o novo, de fazer novos amigos, conhecer novas maneiras de me expressar. Com isso, não demorou muito para que eu começasse a me envolver com o estudo dos mais diversos idiomas. Hoje, estudo três: inglês, francês e espanhol.

Quando eu completei 15 anos, decidi que gostaria de fazer uma viagem ao invés de uma festa. No ano seguinte, embarquei pela primeira vez sozinha rumo à terra da Rainha. Ainda hoje, a Inglaterra é a minha grande paixão. Passei um mês em Bournemouth, em casa de família, estudando inglês. Por incrível que pareça, eu nunca temi viajar sozinha e sempre tive muito apoio em casa para tanto. A criação de meus pais gerou em mim um senso de independência desde muito cedo. No entanto, confesso que às vezes dá um friozinho na barriga ao perceber tudo o que pode acontecer com uma menina num lugar tão distante de casa, da zona de conforto, falando uma língua diferente.

Eu me considero abençoada, já que não tenho histórias traumáticas para contar. Vale mencionar que muitas outras meninas, na mesma situação que eu, brasileiras e de várias outras partes do globo dividiram tantas destas memórias comigo. Como recomendação, eu digo a todas que não há nada mais proveitoso que unir o útil ao agradável: por que não viajar e aprender uma língua (ou melhorar a que você já sabe)? Considero um tanto quanto mais confortável e seguro quando se está amparado por uma agência, esse é um ponto ao qual faço questão para evitar todo e qualquer tipo de imprevisto e, se algo acontecer, ter alguém a quem recorrer e não deixar meus pais desesperados e de mãos atadas.

Mais recentemente, fiz a mesma coisa no Peru. Passei um mês, em casa de família, na cidade de Cusco. Sinceramente, foi a melhor escolha que fiz. Inicialmente motivada, principalmente, pela visita à Machu Picchu, descobri que o Peru é o melhor país para se aprender o Espanhol por ter o idioma falado mais lentamente de toda a América. São pessoas muito receptivas e calorosas, o país oferece uma gastronomia incrível, muitas opções de turismo (precisaria de, no mínimo, seis meses para conhecer tudo o que o país oferece) e o melhor de tudo: não é um destino caro. Curioso o que vou contar a seguir, dada a experiência de quando era mais nova, pela primeira vez, o fato de ser mulher pesou um pouco ao refletir sobre um passeio de fim de semana. Em Cusco, há a possibilidade de ir até à Bolívia e retornar. Dessa vez, não tive a companhia de meninas, como acontecera em Bournemouth. O voo foi realmente solo nas viagens de final de semana. Conheci muita gente incrível nestas viagens, mas me senti bastante insegura de atravessar a fronteira Peru-Bolívia sozinha. Sabe-se que na América Latina, a Bolívia não é um país lá tão seguro no que se refere à segurança da mulher. Além disso, o caminho e o transporte também não me sugeriram segurança e tranquilidade. Por tudo isso, decidi deixar a viagem para a Bolívia para uma próxima ocasião.

Em resumo, concluo que, infelizmente, existem sim limites e travas, mas espero que caiam por terra, cada vez mais. Além disso, é necessário que saibamos identificar até onde vai o nosso limite. Eu, por exemplo, me sinto mais segura quando estou entre outras meninas e mulheres. Não uma nem duas vezes, mas em várias ocasiões conheci mulheres fortes, de mochila nas costas, que despertaram ainda mais essa vontade de viajar, mesmo que sozinha. Espero que possa oferecer esse mesmo tipo de suporte às que, porventura, me acompanham e vão me acompanhar nas próximas viagens. O mais importante, no fim do dia, é não se privar de fazer o que se tem vontade ou de conhecer aquele destino que reserva tantas boas surpresas por causa do medo. O caminho não é só tortuoso e perigoso, como sabemos que pode ser, ele também reserva uma quantidade sem igual de histórias que valem a pena ser ouvidas, além de pessoas que levaremos para o resto de nossas vidas. Bem, a gente se vê por esse mundão afora, combinado?

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